Grande mito da vida escolar

Hoje trago um texto em forma de apelo para chamar à atenção para uma situação muito grave que ocorre há décadas e que visa pura e simplesmente o lucro desmedido de grandes empresas, e que tem como consequência a desilusão de muitas crianças em idade escolar, deixando sequelas que duram para toda a vida e que dificilmente se ultrapassam em idade adulta. Especialmente se acabarem a trabalhar num escritório. Não é porque um erro se repete há vários anos consecutivos e ninguém faz nada, que o torna mais aceitável. É como as touradas por exemplo. No entanto o que vamos falar hoje ainda engana mais gente do que a tourada. Especialmente quando os principais apoiantes da tourada são indivíduos do sexo masculino com meias cor-de-rosa pelo joelho, torna-se demasiado óbvio. Não, não é por isso. É porque o que vamos falar não envolve nem morte nem sangue, logo não parece de caras que seja estupidez como certas coisas.

Estamos a um mês sensivelmente, do regresso às aulas, e os supermercados enchem-se de material escolar para as crianças e os graúdos levarem para a escola. Foi esta enchente de economato nas prateleiras das lojas que me trouxe à memória o grande embuste da nossa infância: o lado azul da borracha. É verdade. E sim, eu sei. Podem tirar 5 minutos para chorar e voltarem ao texto, que eu espero. gommemixtefabercastel

Esse grande mito, o lado azul da borracha que apaga a tinta de caneta, nunca, mas nunca mesmo que funcionou. Muitas vezes pensámos que talvez tivesse que ser de uma marca mais cara para que fizesse mesmo efeito, ou que estaríamos a fazer algo errado no processo de apagar com a dita. Mas não. Estávamos a fazer tudo bem mas lá no fundo não queríamos era acreditar que nos tinham enganado. Nós, pequenas crianças em idade escolar que tinham acabado de receber a permissão para começar a escrever além de a lápis, também a caneta; esse grande marco, essa passo em frente na evolução intelectual – manchado por uma borracha azul. Manchado ou rasgado, que era como normalmente ficava o pedaço da folha que tentámos ingenuamente apagar. Só faltava dizerem que o Paipedropaserasers Natal também é um mito. O que até não fez grande mal quando se descobriu que também o era, porque ao menos a função do Pai Natal, que é trazer presentes, continua a ser
cumprida quer se acredite ou não, seja ele realidade ou mito da vida infantil. Já a borracha azul não. Ela é pior. Ela é real mas não funciona. Ela promete e nunca cumpre. Pior, ela além de não cumprir o que promete, ainda faz um chiqueiro enorme a desempenhar a sua função deixando ainda um rasto de destruição pelo caminho. Qualquer semelhança entre uma borracha com ponta azul e primeiros-ministros pode até nem ser mera coincidência. Não se admirem se um dos próximos candidatos ao governo tiver cabelo azul, numa de metáfora da vida real.

Pais deste país, por favor comprem correctores aos vossos filhos e deixem de lado este grande engano. Não os façam passar pelo mesmo  que vocês passaram só para que eles aprendam como a vida é lixada. Há outras formas menos penosas de lhes mostrar os problemas reais da vida, bastando para isso sentarem-se com eles e desfolharem juntos um jornal, de preferência desportivo. Se tiver o Jorge Jesus na capa, ainda melhor.

Num próximo artigo igualmente esclarecedor, falaremos de um outro impostor de nome afiador ou afia-lápis que se devia chamar na verdade “Quebra-bicos-de-lápis-até-já-não-teres-com-que-escrever”.

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