Observações pertinentes relativas às eleições

Hoje é dia de eleições legislativas e quando se fala sobre este assunto, um dos tristes factos mais apontados pelas pessoas é que se vota sempre nos mesmos, e por isso, ganham sempre os mesmos partidos para prejuízo do país. A verdade é que são constantes os apelos ao voto em massa. Sempre achei estranho este tipo de apelo, porque se as pessoas não mostram interesse por votar em pessoas, não vejo porque haviam de querer votar em massa por mais que se consuma esparguete em Portugal. Talvez isto funcione bem em Itália, mas lá está, Portugal não pode nem deve copiar tudo o que se faz lá fora. Posto isto, neste importante dia para Portugal em que este blog volta ao activo após duas semanas de férias, ficam aqui algumas observações bastante pertinentes sobre aquela coisa que se passa hoje. Aquilo das eleições ou lá o que é.

Primeira observação bastante pertinente: votar é extremamente parecido com o acto de colocar dinheiro num mealheiro, na medida em que estamos a colocar papelinhos paramesadevoto dentro de uma ranhura. A grande diferença entre as duas acções é que ao fim de algum tempo a pôr notas e moedas para dentro de um mealheiro, percebemos que temos mais dinheiro, ao passo que ao colocar um boletim de voto para uma urna, ao fim de algum tempo percebemos que já não temos dinheiro nenhum, porque o governo tomou medidas em relação aos nossos mealheiros.

Segunda observação: os boletins de voto são bastante semelhantes àquelas cartas de amor Boletim-de-Voto-Eleicoes-Legislativasque se escreviam na escola primária em que a resposta à pergunta “Queres namorar comigo?” tinha as opções “Sim”, “Não” e “Talvez”. A principal diferença é que os boletins de voto só têm quadradinhos para a resposta “Talvez”, porque ninguém está lá muito certo do quê ou em quem está a votar. Há crianças de 7 anos mais credíveis e com mais certezas do que os nossos políticos que prometem que vão baixar os impostos de certeza, mas só não se comprometem nem com valores nem com datas.

Terceira: Resultados ‘à boca das urnas’ é uma expressão bastante utilizada em dia de eleições. Curiosamente, faz-me pensar que se à porta dos locais onde estão as urnas é a boca, então a urna em si é o nariz por causa da ranhura. Perceberam? Ranho…..ra. Não? Mais ninguém acha que faz sentido? Bem, a verdade é que o país está doente e há quem diga que tem a ver com os constantes maus resultados das eleições.

Quarta pertinência observada: Quando se sabem os resultados das eleições, os líderes dos partidos que não ganharam dizem todos sempre a mesma coisa: “Tomo total responsabilidade sobre a derrota do partido nestas eleições…”. Epá, sempre. Nunca há um que diga “Sacanas dos eleitores, só queriam era canetas à borla!” ou “O povo português topou que nós realmente somos uma cambada de mentirosos e isso reflectiu-se nos resultados” ou até “Perdemos porque o árbitro não viu o que se passou na freguesia de Cucujães. Aquilo era claramente penalti!”. Pronto, esta última talvez não possam usar exactamente assim, mas a verdade é que este ano podem pela primeira vez culpar o futebol pelos resultados em vez de a si mesmos. A menos que o clube deles ganhe. Aí vale a pena ficar com as culpas, que o futebol é que interessa.

Foi a matéria de hoje. Sumário: Regresso do Moço Sem Fundo. Jogos de futebol dos três grandes. Jantar: ervilhas com ovos. O pouco interesse pelo conteúdo televisivo do dia de hoje. Eleições.

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