Constrangimentos em supermercados

Vou expôr hoje aqui uma situação bastante polémica e que incomoda bastante as pessoas no seu dia-a-dia, mas da qual ninguém fala quer seja por vergonha, ou por falta de coragem. A situação em causa é a seguinte: encontrar pessoas conhecidas e amigos num supermercado durante as compras é bastante constrangedor, na medida em que as vemos dezenas de vezes na mesma visita ao supermercado.

Agora que já enxugaram as lágrimas de comoção, empatia e alegria por alguém ter finalmente denunciado esta situação, podem continuar a ler. Aos que nunca pensaram nisto, têm agora a oportunidade de aprofundar este assunto com mais seriedade.

Normalmente, quando encontramos algum conhecido em algum lugar, não é constrangedor. Só no supermercado. Ou se forem a um clube de strip e encontrarem o vosso chefe. Que é uma mulher. E está no palco. Aí também deve ser estranho, mas vou-me cingir às realidades que vivenciei. Quando encontramos um conhecido no supermercado, 99% das vezes dá-se este diálogo:

“-Olha, então, ’tás aqui?

– É verdade, é verdade… A gastar o ordenado.

– Pois, também eu. É receber e gastar aqui, nem sobra nada!

– Pois é, pois é. Então e o que é feito?

– Opá, nada de especial. Viemos aqui comprar umas coisinhas lá para casa.

– É? Também nós. Tem que ser…

– Pois é, tem que ser…

– Pois é, pois é…bem, então…

– Bem, então até à próxima…Adeus!”

É isto. Zero de conteúdo numa conversa que chega a durar mais de 3 minutos. A pergunta “Então, o que é que estás aqui a fazer?” é das mais desnecessárias que se podem fazer nestes momentos, tendo em conta que se estamos dentro de um supermercado, é obviamente para adquirir produtos para a casa.  Reconheço que às vezes faço essa pergunta em busca de uma resposta criativa, mas nunca tive sucesso. Ainda hoje espero por alguém que me diga que é instrutor de condução de carrinhos de compras e que já habilitou 19 velhotas a conduzi-los em segurança desde Abril. Já agora fica a dica: isto até era uma profissão que fazia falta. Eu já demorei 1 hora a fazer 2 kms para chegar ao Continente por causa de uma velhota que ía a conduzir no meio da estrada e que me voltou a obstruir passagem mais tarde no corredor dos detergentes. Na estrada ainda vá, mas engarrafamentos de velhas nos corredores de um supermercado era desnecessário.

Outro factor que eleva esta problemática a um alto nível de esquisitice, é que depois do tal diálogo oco, é certinho que vamos voltar a ver essa pessoa cerca de 28 vezes nos corredores do supermercado. E é aqui que isto fica verdadeiramente estranho e faz este diálogo bastante diferente daquela conversa sobre meteorologia com um vizinho no elevador. É que nós já nos despedimos da pessoa, mas três corredores mais à frente voltamos a dar de ignoracaras com ela. E de frente! E agora há duas opções: falar novamente a esse conhecido ou ignorá-lo. Eu disse que este assunto é polémico e é aqui que se complica: não há uma opção correcta. Se falarmos novamente à pessoa, vamos ter de falar outra vez de todas as vezes que nos voltarmos a cruzar, por uma questão de coerência comportamental. Se forem duas vezes, é uma sorte. Mas costumam ser de dez para cima. Se ignorarmos as pessoas numa atitude de “Já falámos tudo o que tinhamos a falar hoje”, vamos estar a ignorar um amigo ou conhecido directamente ali, na cara dele. É como se estabelecêssemos um limite de vezes por dia que podemos falar com a mesma pessoa. Por outro lado, eu próprio não gosto que alguém se meta na minha escolha de marca de papel higiénico.  Tenho visto frequentemente pessoas usarem a estratégia de fazer um pequeno comentário sobre o que estão a adquirir quando esbarram novamente com o conhecido que já viram oito vezes durante as compras. Eu até já a tentei utilizar, mas desisti porque uma vez perguntei a um casal conhecido se já eram pais, visto que estavam a comprar fraldas. Geriátricas. Eram para ele. Também já experimentei a técnica de falar sozinho a olhar para as prateleiras para parecer que estou tão absorvido na tarefa de adquirir produtos, que nem vejo as pessoas à minha volta. O problema é que uma vez perguntaram-me porque é que eu estava a falar sozinho e eu disse “Para não te falar outra vez”. E gerou-se uma situação desagradável porque a outra pessoa claramente não estava informada sobre toda esta problemática.

No entanto, anuncio que descobri a fórmula para evitar esta situação desconfortável em corredores de supermercado que passa pelo seguinte: Quando vos fizerem a tal pergunta “Então, o que é que estás aqui a fazer?” respondam, tal como eu: “Olha estive a arrumar a minha garagem e vim comprar os seguintes artigos: fita gaffa, um rolo de corda, um frasco de éter, abraçadeiras de plástico, sacos pretos do lixo dos grandes e um cutelo que corte bem.” Se puderem, levem mesmo esses produtos no carrinho para ser mais realista. Garanto que nem sequer vêem mais as pessoas noutro corredor. É certinho. Ainda ontem experimentei isto com um conhecido e vi-o depois ao longe a falar para um segurança e a apontar para mim como quem dizia “Aquele gajo sabe mesmo evitar situações constrangedoras pá!”.kitantimarket

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