Menu Halloween: Abóborinha com recheio de moscas

Olá! Antes de mais peço desculpa a quem lê isto por ter estado vinte dias consecutivos sem publicar nada. Talvez a outros tenha de pedir desculpa é por voltar a publicar, mas pronto. Estou numa importante fase de mudança na minha vida (que não envolve cirurgias de redesignação sexual nem ingestão de hormonas, calma!), pelo que o tempo tem sido escasso.

No entanto, hoje li uma notícia muito interessante que achei giro partilhar e explorar aqui. Então não é que o parlamento europeu aprovou uma lista de novos alimentos a entrar em breve para a dieta dos países da Europa, entre os quais algas, fungos e insectos?! Mas isto já se comia antes! Se forem ao japonês já comem algas no sushi. Se pedirem uma pizza, a maioria leva cogumelos. E se forem bons a escolher lotas, em algumas há bom peixe com boa mosca e seus ovinhos. Por isso, nada de novidade para a nossa alimentação. O que haverá de novo é isto: novas maneiras de descartar a ASAE e novas maneiras de reclamar em restaurantes. Este sim é um ponto a explorar, por isso vamos a uma espécie de manual de boa conduta para ambos.

A partir de agora a ASAE já terá problemas em encerrar estabelecimentos que tenham pragas de insectos. Ou outro tipo de problemas. Imaginem esta situação:

Inspector da ASAE: – Oh meu amigo, vamos ter de encerrar o seu estabelecimento. É desta água que serve os clientes? Isto está cheio de limos!

Proprietário de snack-bar: – Não senhor, inspector. Isto é água de Monchique enriquecida com algas para o bem nutritivo dos nossos clientes, conforme as novas directivas do parlamento europeu em relação à alimentação.

IA: – Hmm… Então e estas caixas de plástico cheias de restos de comida com bolor no frigorífico!? Nem se percebe o que isto é! Altamente irregular!

PSB: – Inspector! Isto são colónias de fungos, é diferente. Com um bocadinho de alho, mostarda e açafrão dá uma pasta mesmo boa para barrar no pão.

IA: – Nesse pão cheio de bolor!??

PSB: – Também pode ser, mas este pão é mais caro porque tem mais proteínas. Este tipo de bolores é muito nutritivo sabe.

IA: – Ai é?!…  então e estas moscas todas na carne? Não me diga que isto não é falta de higiene!

PSB: – Digo pois! A isto chama-se boa gerência, assim é que é. Agente espera que a carne acumule moscas para elas desenvolverem larvas. Depois metade da carne é servida como lombinhos da vazia com puré de moscas e o que sobra vai para a bolonhesa. É que entretanto as larvas já foram mastigando a carne, ela já vai meio picada. E ao mesmo tempo as larvas já parecem uma espécie daqueles fios de carne picada, nem se dá conta. Pimba, metade do trabalho já foi feito pela própria comida. Nós aqui estamos a apostar muito nos super-alimentos.

IA: – Hmm…ok… tudo bem então. Olhe, eu já petiscava. Fazem caracóis?

PSB: – Caracóis?! Mas somos alguns animais ou quê!? Esse bicho larga ranho. Julga que somos alguns porcos nesta cozinha?

IA: – Peço desculpa, não queria ofender… Eu escolho do menu então… podem ser estas baratas à bulhão pato?

PSB: – Pode sim. Prefere bem passadas ou crocantes por fora e tipo gema de ovo estrelado por dentro?

Estão a ver? A ASAE assim vai ter mais dificuldade em distinguir casos em que o estabelecimento é gourmet ou em que é só badalhoco. É a paga por terem andado estes anos todos a serem demasiado picuinhas. Agora cortam-lhes no ganha pão. Ou pelo menos o ganha pão passa a ter mais bolor.

Outra coisa que vai mudar com isto tudo é a maneira como as pessoas vão poder reclamar nos estabelecimentos de restauração. Se dantes fazia sentido dizer: “Olhe, faz favor. Tenho uma mosca na sopa.”, agora as pessoas vão poder reclamar: “Olhe, onde é que estão as moscas da minha sopa?” Outra coisa gira para dizer pode ser: “Olhe lamento, mas encontrei um cabelo na mosca da minha sopa, e isto é inadmissível! Que nojo.”

Também se poderá inovar na arte do empratamento. Por exemplo no caldo verde. Eucaldoverde
pessoalmente gosto muito, mas é muito parado. Em vez de ter aquela rodela de chouriço mortiça, podia-se substituí-la por lagartas da couve. Nem era preciso lavar a couve, até se tornava mais prático. E assim tínhamos um caldo verde mais interactivo, com uma lagarta ainda viva a tentar vir cá para fora. E não me digam que isso seria desumano porque os caracóis também são confeccionados vivos, tal como já se falou aqui, e ninguém quer saber.

Tudo isto me parece muito bem, no entanto poderá ter as suas desvantagens. Especialmente para o dia de hoje, dia de Halloween. Penso que esta alteração levada a cabo pelo parlamento europeu poderá acabar com o dia das bruxas. É que elas fazem aquela macumba no caldeirão muito à base de coisas que brevemente já será normal comer, e nesse caso, qualquer dia deixam de ser bruxas e passam só a ser cozinheiras muito velhas. É mau para o negócio. Espero que o parlamento europeu um dia não se lembre de reciclar lençóis esburacados, senão os fantasmas estão lixados.

bruxas_cozinheiras

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