Combater o terrorismo com politeísmo e cromos

Antes de mais, expresso aqui os meus sentimentos pelas pessoas que sofreram na sexta feira às mãos dos terroristas que atacaram em Paris. É inevitável que isto nos leve ao tema Religião. Há quem diga que os terroristas apenas usam o nome de uma religião para camuflar as suas intenções, e de certa forma até concordo. Mas fazem-no muito bem, porque isto no fim acaba por ser uma nova cruzada entre cristãos e muçulmanos. Que é como quem diz, uma birra. O extremismo não passa de birra. Isto é o equivalente àquelas crianças que discutem entre si quem é que é melhor, se o Porto ou o Benfica, e depois desatam a chamar nomes, andam à porrada e arrancam cadeiras do estádio para arremessar… Pronto, se calhar isto é mais os adultos, mas percebem a ideia? Aquelas crianças que discutem quem é que tem o pai mais forte? É isto. Os extremistas querem que todas as pessoas se convençam que o “pai” deles é maior e mais forte e que é polícia e pode prender os pais dos outros. Toda a gente2gajos religiao se lembra deste tipo de conversas birrentas na escola. Acabavam sempre em murros e caneladas com os colegas. E para quem nasceu numa geração em que as coisas ainda eram normais, chegavam  a casa e ainda levavam mais do tal pai que era o mais forte, porque não havia necessidade nenhuma de armar confusão na escola, que é muito feio. O que acontece na religião é infelizmente semelhante ao que acontece com a actual geração de jovens cujos pais não fazem nada.

Atenção que esta história já é muito antiga. Em Portugal tivemos muçulmanos a ocupar terreno até 1249. Já nessa altura se andava a mostrar mutuamente entre cristãos e muçulmanos quem é que tinha o melhor pai, ou seja, o melhor Deus. Dado que se for bem analisado é, como se costuma dizer em termos técnicos para este tipo de variáveis religiosas e geopolíticas, estúpido. Estamos a falar de duas religiões, distintas sim, mas que são ambas monoteístas. Acreditam num só Deus, mas o deles é melhor. De qual? Não sei. Eles até acreditam no mesmo Deus, mas o problema é a versão da história. Por exemplo, os muçulmanos também acreditam em Jesus. Mas acreditam que o Maomet era mais importante. Os cristãos nisso discordam e não reconhecem Maomet. Eu particularmente se tivesse de escolher entre um e outro, escolhia o Jesus. Era um gajo que ia a casamentos e transformava a água em vinho e multiplicava pães e peixe. Não era à toa que tanta gente o seguia. Isto às vezes chega a dia 20 e já era preciso um milagre na dispensa. O Maomet era mais jejum em cavernas e porrada. Não é para mim, eu gosto muito do meu chouricinho assado e não me dou bem em sítios com muita humidade. E sem comida no bucho, não sou menino para me pôr a herói e desatar à cacetada.

Recentrando o tema, temos duas religiões que acreditam na mesma coisa – um só Deus. Mas têm livros de instruções diferentes, a Bíblia e o Corão. Porque é o que são: livros de instruções que dizem o que se pode ou não fazer, como e quando. Sabem o que é que dava jeito? Um livro que desse para as duas, como aqueles livros de instruções das impressoras que dá para o modelo A1, A2, A30 e A129s. Era só aplicar conforme cada um e ficava tudo bem. Ah espera, isso já existe! Chama-se bom senso. Mas se calhar é melhor alguém passar isso a limpo e com letra que se leia bem. Um dos mandamentos podia ser: “Não mostres ao próximo que Deus é paz e amor, benevolente e misericordioso, através de tortura e chacina.” Temo que “amai o próximo como a vós mesmos”  tenha sido demasiado vago.

Pessoalmente acho que há uma solução para acabar com esta disputa sobre quem é que tem a camisa branca mais clarinha, que é esta disputa religiosa. Era voltar atrás e sermos todos politeístas. Era tudo mais calmo, mais divertido, e as pessoas andavam mais ocupadas com outras coisas. A vida dos deuses no politeísmo parece uma daquelas revistas cor-de-rosa, havia sempre intrigas e um que se apaixonava pelo outro, mas depois vinha a irmã e traía com o primo… uma verdadeira novela. Extremamente bom a nível de entretenimento, acabava-se o problema de ver televisão horas a mais. Outra coisa por exemplo, acabava-se o problema social que é o alcoolismo. Passava era a haver adoradores de Baco. Casos de infidelidade? Não, apenas zelosos adoradores de Cupido que não perdem uma oportunidade de adorá-Lo. Ah e tal, o Paulo Portas há uns anos comprou uns submarinos de forma totalmente arbitrária e desnecessária para o país, e de certeza que encaixou uma data de dinheiro de forma dissimulada e ilegal para usufruto próprio e à conta de dinheiros públicos! Não. Portugal teve foi um ministro muito zeloso a Neptuno cadernetacromosgodse protegido pelo Deus Mercúrio (para decifrar, é ver aqui).  Também não haveria necessidade de tentar convencer outro que os meus deuses eram melhores que o dele porque provavelmente iria haver algumas religiões que tinham deuses que a minha religião não tinha. Ficavam para a troca. Era uma espécie de caderneta de cromos
com divindades. E o que era giro é que até podia ser uma coisa mesmo literal, com uma caderneta mesmo para coleccionar os diferentes deuses.  A malta em vez de ir de joelhos a Fátima ia mas é a correr, para serem os primeiros a completar a caderneta de Deuses e poderem adorá-Los bem. Em vez de guerras, haveria paz, harmonia e coleccionismo. E olhem que o coleccionismo de cromos é um grande exemplo de união, tanto pela interacção das pessoas no acto de reciprocidade, bem como pela camada autocolante na parte de trás dos cromos.

Isto só para demonstrar como a humanidade pode ser parva quando se trata de religião. E não estou a falar de mim.

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2 comments

  1. Desculpa mas não acho que isto seja uma guerra de religiões…estas pessoas matam muçulmanos …usam o nome de Alah em vão…não cumprem a palavra do Alcorão…se de facto estão a querer impor uma religião..só pode tratar.se de uma nova …onde o ódio e a violência imperam

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    • Concordo plenamente e foi isso que tentei satirizar. Os ditos cristãos também não se ficam atrás em nada no que toca a dizimar e a espalhar a violência. É capaz é de se falar menos agora. Infelizmente existe muito esse roubo de identidade cultural. É tudo um jogo em que impera o egoísmo e a opressão pela imposição de ideias de parte a parte. Ou seja, no fim, tal como eu e tu pensamos, não há respeito nem amor algum pelo próximo, que é o que verdadeiramente interessa e não o nome da religião, país ou partido político.

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