O flagelo das rifas de Natal

Um olá de tamanho convenientemente razoável a todos os leitores deste blog (só para não ocupar demasiado espaço, porque cada um tem a sua vida).

Certamente que todos têm observado tal como eu a evolução de determinadas ideias e comportamentos no mundo, muitas vezes para o pior. A humanidade tem-se debatido frequentemente contra grandes flagelos ao longo da História, e infelizmente a aproximação da época natalícia traz consigo um dos grandes problemas da nossa sociedade e que se tem intensificado ao longo dos anos. Esse problema é: as rifas de Natal.

As rifas de Natal são um flagelo que assola todo o país ao mesmo tempo e sem piedade. Centenas de crianças e adolescentes nesta época aterrorizam familiares, amigos e conhecidos com os seus pequenos blocos picotados e numerados, na esperança de arrecadar dinheiro para as suas actividades escolares e extra-curriculares. Antigamente também arrecadavam para caridade, mas entretanto isso foi descontinuado desde que o governo começou a fazer com que a grande maioria da população precise de ajuda social. É que assim o Natal teria que durar o ano todo. E um mundo em que a sociedade se teria de esconder todo o ano de crianças impiedosas de bloco de rifas em punho, não seria um mundo justo. E faz lembrar aquela cena do Jurassic Park em que os miúdos se escondem dos Velociraptors, mas sendo os dinossauros as crianças impiedosas que fazem qualquer coisa para nos impingir aquele papelinho da sorte.

kinopoisk.ru

O pesadelo de tentar esconder todas as moedas e notas destas crianças é só o início. Rapidamente nesta altura se começa a escolher onde beber café tendo em conta o rácio crianças/adultos. O pior é que também há pais e avós por aí a cooperar com as crianças e a espalhar o flagelo das rifas. E toda a gente sabe que é mais difícil mentir a um adulto: Não estaríamos num café se não tivéssemos dinheiro connosco. Se calhar até nem temos moedas, mas a nota compra cinco rifas e assim temos cinco vezes mais hipóteses de ganhar aquele cabaz de Natal. A sugestão é sempre feita de maneira a enfatizar a ideia de aumentar as probabilidades de ganhar e nunca se fala das rifas como um investimento de alto risco.

Outra coisa de que ninguém fala é a corrupção no mundo das rifas. Há famílias que compram blocos inteiros  às suas crianças para aumentar drasticamente as suas hipóteses de ganhar um cabaz de Natal. Liquidam assim imediatamente o stock de rifas dessas determinadas crianças, impedindo deste modo o acesso às rifas por outros potenciais compradores. Esse dinheiro acaba por ficar dentro família na mesma, e com alguma sorte, também o cabaz de Natal. Este sistema de lavagem de dinheiro devia ser fortemente combatido, quer por meio da criação de uma Polícia Especial das Rifas, quer pela criação de uma Entidade Reguladora Fiscal das Rifas que promovesse as boas práticas comerciais nas escolas e casas do país.  Como infelizmente ainda não vivemos no mundo ideal, só nos resta evitar o mundo negro e decadente das rifas, por melhorar cada vez mais as refinadas maneiras de mentir às crianças sobre a quantidade de dinheiro que levamos no bolso.

(Ai mentir às crianças é cruel? O Pai Natal o quê?)

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